Desejo do dia

07set09

Brevê para pais
Em busca da habilitação

Amanhã, a minha irmã começa a fazer aulas de direção, o ponto alto de seus esforços para tirar carteira de motorista.

Custeado pelo meu irmão, que queria que mais alguém da casa dirigisse, além dele, o programa “Daphne rumo ao volante” teve início há quase dois meses, quando ela prestou o exame psicotécnico e logo depois se matriculou nas aulas de legislação.

Durante esse tempo, eu acompanhei de perto e até me envolvi um pouco com seus estudos sobre leis, placas e infrações de trânsito. Num dos dias em que ela pediu que eu a arguisse, eu notei o quanto detalhe e informação burocrática era preciso guardar para dirigir.

Alguns dirão que é necessário saber tudo isso, afinal, a direção coloca a vida das pessoas em risco. No entanto, há muitas atividades que podem prejudicar_ e muito_ a vida de alguém que não exigem o mesmo preparo. Seria deselegante o bastante para incluir o jornalismo, mas essa é uma discussão que não pretendo ter aqui nem agora.

Para sustentar meu argumento, busquei exemplos de cargos ou funções fundamentais cujo mau exercício poderia arriscar a vida de alguém, e o melhor exemplo que encontrei foi a sagrada instituição da paternidade.

De modo geral, ter um filho não exige nada além de condições biológicas que permitam a sua geração. Não é preciso comprovação de renda para garantir sua subsistência tampouco que se ateste que os pais fazem pleno de suas faculdades mentais.

Prova para pais

Particularmente, sou contra o funcionamento desse sistema reprodutório. Acho que deveria ser instituído algum tipo de prova para aqueles que pretendem ser pais, uma espécie de exame para obter a “carteira nacional de paternidade”.

Após testes psicológicos, atestado de bons antecedentes e um curso sobre cuidados básicos com seres humanos dos zero aos 18 anos, o casal, seja qual composição tenha, poderia receber a habilitação.

Só depois do recebimento da licença, os futuros pais poderiam se dirigir ao Denap (Departamento Nacional de Paternidade) e entregar seu pedido a uma das cegonhas que atuam no órgão. Antes, nada de bebês.

O prazo de nove meses seria mantido porque o departamento funcionaria com o atual ritmo da burocracia brasileira. Bebês prematuros, obviamente, mais raros, seriam fruto dos esforços de algum servidor jovem e recém-nomeado.

Conforme ele fosse se adequando à cultura corporativa, passaria a liberar os pequenos com os nove meses devidos.

Aos que acham a medida extrema, pensem que cenas como a retratada acima poderiam ser menos frequentes.

Anúncios


3 Responses to “Desejo do dia”

  1. 1 patty torres

    Nossa, incrivel este texto seu! Você é muito inteligente e perspicaz.Acho que seria uma excelente solução para vários problemas que enfrentamos, nesta sociedade tão conturbada.Um abraço,Patrícia

  2. 2 Desiree

    Olá Patrícia, tudo bom? Espero que sim. Obrigada pelas palavras. O texto foi mais uma brincadeira, mas eu realmente acho que as pessoas deveriam fazer um exame de consciência bastante sincero sobre sua vontade e inclinação para serem pais. Ser responsável por uma outra vida não é para qualquer um. Abraços

  3. 3 Ícaro Hupsel

    Muito legal sua postagem. Concordo inteiramente que muita gente devia fazer um exame de consciência. Ao menos deve-se saber que ter filhos não é uma escolha de modo isolado.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: